\n'; document.write(barra); } } changePage();
| GIL ME BEIJA EX-VOCALISTA DA BANDA BEIJO LANÇA
PRIMEIRO CD SOLO Se cada um sabe amar a seu modo e se o essencial é saber amar, Me Beija, primeiro trabalho solo da cantora baiana GIL, ex-vocalista da Banda Beijo, consegue falar de amor de todas as formas: com paixão, vitalidade, melancolia e, claro, energia de sobra. Afinal, estamos falando da Bahia. Produzido por Marco Mazzola e com direção artística de João Augusto, o CD de 12 faixas marca a estréia de GIL longe do domínio exclusivo do axé, apresentando ao público uma cantora que está, com toda segurança, no universo das grandes vozes da nova MPB. Entre os compositores escolhidos para dar poesia à essa nova fase estão Zeca Baleiro e Ivan Lins, que escreveram canções especialmente para ela. Me Beija, segundo GIL, é um trabalho que a representa de maneira completa. “É a minha cara”, resume. Sem deixar de lado a face carnavalesca, presente em faixas como “Maionese”, “Deu Piti” e “Me Beija”, o conjunto de composições permitiu que ela revelasse também um lado até então pouco conhecido da maioria. “É o mais maduro de todos os meus projetos. Pelos arranjos, pelas músicas escolhidas, pela mistura de ritmos. Por exemplo: sempre gostei de cantar coisas mais românticas. Agora, tive a oportunidade.” São nessas faixas (“Deus”, “A Sombra da Partida”), aliás, que as qualidades vocais de GIL ficam mais aparentes. Sua voz é pura força da natureza. Seu enfoque é tão cheio de arte que ela se dá ao luxo de escolher qualquer gênero – do pop ao samba reggae, do samba canção ao axé – e triunfar em todos eles com muita bossa e, claro, sem perder o vigor dos tempos da Banda Beijo. Moldada para ser uma típica, porém visualmente inovadora, cantora de axé music, trabalho que desempenhou com excelência em seus três álbuns com a Banda Beijo (Beijo ao Vivo, Meu Nome é Gil e Apaixonada), apenas agora, ao iniciar uma carreira solo, que mantém a mesma estrutura de shows dos tempos da Banda Beijo, GIL foi capaz de mostrar por completo a que veio. Percorrendo as faixas com atenção, vai saltando aos poucos a mistura bem sucedida de ritmos. “Rumba De La Pasion”, é a música da qual GIL fala com mais entusiasmo. Composta por Zeca Baleiro, coloca o Caribe nas caixas de som com uma descarga elétrica explícita. É uma das músicas mais contagiantes, aliando o suingue e o bom humor da música brasileira ao calor apimentado da música latina. “É tudo: o ritmo, a história engraçada que a letra conta, o jeito como Zeca Baleiro joga com as palavras, brincando com as línguas portuguesa e espanhola de um jeito muito bem humorado. Adoro de paixão. Pirei nessa música”, diz, sem esconder o entusiasmo. “Maionese”, escolhida para ser a música de trabalho de Me Beija, é uma versão em português de “Mayonesa”, do grupo uruguaio Chocolate. “Logo que assisti ao clipe da banda vi que o Chocolate tinha tudo a ver com a Bahia”, conta, referindo-se principalmente ao ritmo e às coreografias realizadas pelos integrantes. A música, com um refrão contagiante, marcadamente uma canção de praia, calor, suor, já pode ser considerada um sucesso. Em Porto Seguro, Bahia, cidade que há anos funciona como uma espécie de termômetro musical dos hits de verão, “Maionese” está entre as favoritas dos ouvintes, segundo os DJs locais. GIL diz que não pensava em seguir uma carreira solo. Mas tanto Netinho, seu padrinho na Beijo, quanto seu empresário, Misael Tavares, perceberam que a banda baiana estava ficando pequena demais para ela. A cantora ficou animada com as diversas possibilidades de experimentação musical que o novo passo traria. Ficou nervosa no início, confessa, mas está entusiasmada com o projeto. A sensualidade de GIL, antes um tanto escondida, agora desponta com evidência. As músicas, antes restritas ao universo do axé, se diversificaram. E mesmo quando o axé está presente, aparece de um jeito criativo. No samba reggae “Deu Piti”, por exemplo, a batida do axé music ganhou de Lincoln Olivetti um arranjo mais moderno. A música não perdeu a identidade musical do carnaval baiano, mas fugiu dos padrões tradicionais que acompanham o gênero. “Tem a cara da Bahia, mas com uma pitada diferente”, define GIL. Outro destaque é “A Despedida”, um samba canção composto por Ivan Lins e Claudio Rabello, em que GIL experimenta o romantismo muito bem apoiada pela viola e pelo violão solo de João Lyra. Em “Me Beija”, faixa que dá nome ao CD, GIL abre, com a contundência de quem entende do riscado, a temporada carnavalesca de 2002. O quarteto de metais somado à provocante força de sua voz resultaram numa música que dificilmente consegue deixar um ouvinte parado. “Estou Completamente Apaixonada” traz algumas influências jazzísticas no arranjo de metais, montado com sofisticação por Marcelo Martins. Assim como as outras músicas do CD, funciona bem tanto no conceito quanto na atitude, mas a atitude e a força de GIL acabam sempre prevalecendo. Ela projeta uma sensualidade aberta, e o álbum deixa transparecer isso de forma fluente até a faixa final. Mesmo sendo mais conhecida – e fascinante por isso – pela energia carnavalesca, GIL também reúne vulnerabilidade e compaixão na interpretação de composições como “Deus (Apareça na Televisão)”, de Paula Toller, George Israel e Sérgio Dias e “A Sombra da Partida”, de Ritchie (sim, ele mesmo, de “Menina Veneno”), Bernardo Vilhena e Luiz Paulo Simas. Essa música, em especial, expõe GIL, a cantora, de forma clara. “Cantei com muita paixão, de dentro do coração, como se fosse um vulcão em erupção”, diz. No final, a hora de GIL, a mulher, se expor. “Levada da Breca”, que encerra o CD, é, nas palavras dela, “a minha alma nua revelada para o povo. Sou eu. É tudo que represento e representei: menina alegre, levada, espontânea”. GIL (na carteira de identidade, Gilmelândia Palmeira dos Santos) nasceu em 20 de setembro de 1975. Começou a cantar na adolescência. Com um repertório bastante eclético, percorreu os bares de Salvador sempre recebendo elogios. Cantou nas bandas Pinote, Jóia e Laranja Mecânica. Em 1998 assumiu o posto de Netinho na Banda Beijo. Agora é só com ela. O resto é história. Depto. de Imprensa Novembro 2001 |